Como preparar o seu orçamento para o fim da moratória

A moratória de crédito, como mecanismo de apoio, destina-se a famílias que foram afetadas pela pandemia, sofrendo perdas significativas de rendimento.

 Situações de perda de emprego, de redução de horário, suspensão do contrato de trabalho ou de quebra de rendimentos estão entre as condições de acesso a esta moratória. E se, quando as moratórias foram criadas, em março de 2020, existia a esperança de que em 2021 a situação tivesse melhorado, hoje sabemos que não é bem assim.

 Para muitas destas famílias, meses depois, o cenário continua a ser de grande incerteza e, muitas vezes, complicado. No entanto, mais cedo do que gostariam, terão de retomar o pagamento das prestações dos créditos em moratória. Por isso, é importante perceber como equilibrar a sua situação financeira para que o retomar do pagamento dos créditos não seja um problema adicional.

1. Analise o seu orçamento familiar

Construa um orçamento mensal que inclua todos os rendimentos e despesas do seu agregado (fixas e variáveis).

 Neste orçamento é importante contabilizar mesmo as pequenas despesas do dia a dia, que muitas vezes são esquecidas nestas contas.

 Adicionalmente, crie uma versão do seu orçamento sem a moratória, de forma a compreender o impacto que esta mudança pode ter no seu orçamento quando esta chegar ao fim, ou se for o caso de já ter chegado.

2. Reorganize as finanças da família

Ao analisar o seu orçamento familiar, procure perceber onde está a gastar o seu dinheiro e de que forma pode reduzir e otimizar as despesas da família.

 Muitas vezes, as pequenas despesas são esquecidas e, quando contabilizadas, podem representar uma parte significativa do orçamento.

Nesta reorganização, e até porque, com o fim da moratória, a sua despesa vai aumentar, é fundamental encontrar formas de poupar.

Se o seu orçamento familiar tem mais despesas do que receitas, ou se é muito difícil poupar algum dinheiro ao fim do mês, fazer ajustes nas despesas é a melhor solução.

Assim, e para que o orçamento familiar esteja preparado para o impacto do fim da moratória, há medidas que pode tomar antes de voltar a ter essa despesa.

Eis algumas ideias que poderão ser úteis para equilibrar e reorganizar as suas contas e aumentar o rendimento disponível:

Ideias de poupança

• Renegociar os contratos de serviços como telecomunicações, luz, gás ou seguros

• Planear as refeições em casa e fazer uma lista de compras

• Comparar preços antes de fazer qualquer compra (utilize comparadores online)

• Cancelar subscrições e assinaturas de que não precisa ou não usufrui

• Reciclar roupa, móveis e tudo o que possa ter uma segunda vida

• Reparar o que puder ser reparado, evitando comprar coisas novas quando não é necessário

• Se há algo que pode fazer gratuitamente, não gaste dinheiro. Do exercício físico a pequenas reparações caseiras, há sempre margem para poupar

• Andar a pé, partilhar carro ou usar transportes públicos para reduzir as despesas com combustível

• Definir um limite diário para gastos ou para categoria de despesas: por exemplo, não gastar mais do que x por dia ou do que x% do orçamento em lazer

• Pedir sempre fatura com número de contribuinte e deduzir todas as despesas no IRS.

Além de diminuir a despesa poderá, também, atuar no sentido de aumentar as receitas da família.

Ideias para aumentar as receitas

• Uma das formas de conseguir um rendimento extra é rentabilizar um hobby. Se gosta de pintar ou de costurar, ou se tem criatividade para criar peças decorativas, faça desse talento uma forma de ganhar dinheiro.

• Tem a garagem cheia de coisas que já não usa? Ainda guarda as bicicletas que os seus filhos usavam quando eram mais pequenos? Ou aquele equipamento de fitness que usou três vezes? Vender tudo o que já não utiliza tem duas vantagens: fica com mais espaço livre e com mais dinheiro na conta. Pode fazê-lo através de sites especializados, páginas nas redes sociais ou em lojas físicas que compram artigos em segunda mão.

3. Procure colocar algum dinheiro de lado

É um desafio para muitas famílias afetadas pela crise pandémica, mas é importante para se preparar para o fim da moratória.

Se, com as recomendações anteriores, conseguir poupar e se a moratória lhe der alguma margem financeira, no início de cada mês coloque algum dinheiro de lado.

Guarde-o para o momento em que terá de voltar a amortizar a sua dívida e para garantir a estabilidade financeira da sua família.

 Se tem dificuldade em poupar tendo dinheiro na conta à ordem, faça uma poupança programada, retirando, assim que recebe o ordenado, determinado valor para uma segunda conta.

 Caso precise de uma motivação extra, fica uma dica.  Aderir a desafios como o das 52 semanas, em que vai poupando 1 euro na primeira semana, dois na segunda e assim sucessivamente. Em 25 semanas terá 325€; ao fim de um ano serão 1 378€. Se este valor for poupado por dois membros de um casal, terá o dobro da poupança.

 4. Procure ajuda

Se, ao analisar a sua situação financeira, prevê grandes dificuldades para conseguir cumprir com as suas obrigações financeiras no momento em que as despesas voltarem a aumentar, contacte o seu balcão ou gestor de conta e informe-se sobre as alternativas para a sua situação.

 O mais importante é procurar uma solução assim que o problema se adivinhe, porque quanto mais cedo tomar medidas, mais fácil será evitar o incumprimento. Apresento aqui algumas soluções.

4.1 Renegociar com o banco

“Se após o termo da moratória, está com perda de rendimentos, e os encargos com os créditos ultrapassam 35% do orçamento familiar, o melhor é mesmo agir.

Comece desde já por conferir as condições do seu crédito à habitação”.

• Baixar taxa de juro -“Se tiver um spread acima de 2%, é altura de contactar o banco e renegociar este valor”;

• Alargar prazo do empréstimo – “Mais tempo para amortizar o crédito significa uma prestação mensal mais reduzida, mas um aumento da fatura final dos juros a pagar”;

• Carência de capital – “Um período de carência permite deixar de pagar o capital, continuando a suportar apenas os juros sobre o montante em dívida”;

• Adiar o reembolso de capital – “Remeter o reembolso de uma parte do capital (por exemplo 10%) para a última prestação do empréstimo é outra solução para reduzir de forma significativa as prestações atuais, uma vez que uma parcela do capital não está a ser reembolsada”;

• Diminuir prémio dos seguros – “Renegociar o prémio dos seguros associados ao crédito à habitação é uma boa forma de poupar algum dinheiro todos os meses. Ao comparar várias propostas de seguradoras, certifique-se de que, ao reduzir o prémio, não vai perder coberturas ou reduzir o valor de uma eventual indemnização”;

4.2 Transferir o crédito

“Se o seu banco não fizer o mínimo esforço para continuar a relação comercial consigo, nem que seja só baixar as anuidades de cartões de débito e de crédito e as comissões de manutenção de conta, pondere transferir o crédito para outra instituição”.

Porém, tenha em conta os eventuais custos associados a esta transferência. “Certifique-se de que o banco para onde vai transferir o contrato assume estas despesas, pelo menos parcialmente”,

4.3 Recorrer ao PARI ou ao PERSI

Se acha que não vai conseguir pagar as prestações, saiba que tem ao seu dispor dos instrumentos de proteção: o PARI (plano de ação para o risco de incumprimento) e o PERSI (procedimento extrajudicial de regularização de situações de incumprimento).

Recomenda-se o recurso a estes instrumentos para “forçar a instituição de crédito a encontrar uma solução, por forma a tentar ultrapassar as dificuldades criadas por esta crise”.

Isabel Loureiro – Gestora de Créditos Bancários

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